sexta-feira, 19 de outubro de 2012

PROFESSORA FRANCISCA PALMEIRA HOMENAGEIA PROFESSORES


Dia do Professor; uma Reflexão

Homenagear o professor no seu dia nos remete a uma profunda reflexão da importância desse profissional para a sociedade. A sua tarefa educacional está na gênese das demais profissões. No entanto, a desproporcionalidade com os outros profissionais de igual nível de escolaridade, no que concerne a conquista de direitos é incompatível com os discursos proferidos pelas autoridades governamentais que se dizem competentes.

Salários dignos e condições adequadas de trabalho seriam o básico e mínimo que se poderia oferecer para uma educação de qualidade; que seja capaz de proporcionar cidadania para os alunos, aqueles cantados em prosa e verso, serem estes o cerne da questão, ou seja, a razão da escola existir. Do contrário, se esta escola não oferecer educação de alto nível, não estaria ela fugindo de seu verdadeiro papel que é formar cidadãos e cidadãs? Nesse sentido, seria redundância relembrar que todas as nações que desenvolveram - se foi porque investiram maciçamente em educação?

 É verdade que nestes últimos dez anos, graça a uma nova forma de pensar não só a educação mais a sociedade como um todo, tivemos um avanço considerável nesse setor. Quais sejam: em termos de financiamento os recursos foram triplicados de 17,4 bilhões em 2003 para 51 bilhões em 2010.  Com um olhar direcionado para a educação básica e valorização do professor foi instituído o FUNDEB, política universalizada, pois convergem para si todos os níveis de ensino básico, divergentes do FUNDEF que teve um caráter segmentário, contemplando apenas o ensino fundamental. Na mencionada política (fundeb) estar implantada a lei do piso (11.73/2008) garantido uma data base para o magistério, algo há muito tempo, por nós almejados; o ensino tecnológico e as universidades se expandiram, sendo criadas mais de 14 universidades, mais de 100 campi, centenas de institutos federais; concursos foram criados para democratizar o acesso ao serviço público na educação. Vale lembrar que com relação à chamada lei do piso muitos prefeitos e governadores teimam em não cumprir, e como se não bastasse impetraram pedidos de inconstitucionalidade da referida lei.

Diante das menções supracitadas entende – se que muito mais precisa ser feito. Como exemplo, exercitar- se a consciência do voto correto, ou seja, o eleitor votar em pessoas comprometidas com a ética, transparência, e que não confunda investimento na educação com gasto e o público com o privado, que não se sinta dono, mas um administrador da coisa pública; que a formação continuada para os professores não venha ser oportunidades para servir a gulodice de aventureiros neoliberais, com seus cursos aligeirado. Quero crer que isto não seja uma regra, porém na maioria das vezes essas modalidades de ensino servem para, como foi dito, satisfazer a ânsia gananciosa do lucro fácil. Que a formação continuada venha se constituir na prática uma verdadeira revalidação de conhecimentos. Que a escola crie mecanismos e estratégias através de regimentos/normas e outros para atrair a comunidade para seu âmbito e dessa forma encontrar juntos a solução de problemas detectados. Que o professor recupere sua autoestima e sua verdadeira identidade como docente capaz de conduzir o aluno a interferir nos espaços sociais como um agente e nunca como um sujeito sujeitado, enfim transformar a sociedade.

Apesar do atraso na educação ser histórico e ter raízes que rementem a centenas de anos, não acho impossível a solução. Numa visão mais otimista afirmo que venha ocorrer em médio prazo.

Aos professores, os verdadeiros heróis da resistência, nossos parabéns e que todos os dias, através de lutas, teremos conquistas para comemorar.

Texto escrito por Francisca Palmeira.

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