Dia do Professor; uma Reflexão
Homenagear o professor no seu dia
nos remete a uma profunda reflexão da importância desse profissional para a
sociedade. A sua tarefa educacional está na gênese das demais profissões. No
entanto, a desproporcionalidade com os outros profissionais de igual nível de
escolaridade, no que concerne a conquista de direitos é incompatível com os
discursos proferidos pelas autoridades governamentais que se dizem competentes.
Salários dignos e condições
adequadas de trabalho seriam o básico e mínimo que se poderia oferecer para uma
educação de qualidade; que seja capaz de proporcionar cidadania para os alunos,
aqueles cantados em prosa e verso, serem estes o cerne da questão, ou seja, a
razão da escola existir. Do contrário, se esta escola não oferecer educação de
alto nível, não estaria ela fugindo de seu verdadeiro papel que é formar
cidadãos e cidadãs? Nesse sentido, seria redundância relembrar que todas as
nações que desenvolveram - se foi porque investiram maciçamente em educação?
É verdade que nestes últimos dez anos, graça a
uma nova forma de pensar não só a educação mais a sociedade como um todo,
tivemos um avanço considerável nesse setor. Quais sejam: em termos de
financiamento os recursos foram triplicados de 17,4 bilhões em 2003 para 51
bilhões em 2010. Com um olhar
direcionado para a educação básica e valorização do professor foi instituído o
FUNDEB, política universalizada, pois convergem para si todos os níveis de
ensino básico, divergentes do FUNDEF que teve um caráter segmentário,
contemplando apenas o ensino fundamental. Na mencionada política (fundeb) estar
implantada a lei do piso (11.73/2008) garantido uma data base para o
magistério, algo há muito tempo, por nós almejados; o ensino tecnológico e as
universidades se expandiram, sendo criadas mais de 14 universidades, mais de
100 campi, centenas de institutos federais; concursos foram criados para
democratizar o acesso ao serviço público na educação. Vale lembrar que com
relação à chamada lei do piso muitos prefeitos e governadores teimam em não cumprir,
e como se não bastasse impetraram pedidos de inconstitucionalidade da referida
lei.
Diante das menções supracitadas
entende – se que muito mais precisa ser feito. Como exemplo, exercitar- se a
consciência do voto correto, ou seja, o eleitor votar em pessoas comprometidas
com a ética, transparência, e que não confunda investimento na educação com
gasto e o público com o privado, que não se sinta dono, mas um administrador da
coisa pública; que a formação continuada para os professores não venha ser
oportunidades para servir a gulodice de aventureiros neoliberais, com seus
cursos aligeirado. Quero crer que isto não seja uma regra, porém na maioria das
vezes essas modalidades de ensino servem para, como foi dito, satisfazer a ânsia
gananciosa do lucro fácil. Que a formação continuada venha se constituir na
prática uma verdadeira revalidação de conhecimentos. Que a escola crie
mecanismos e estratégias através de regimentos/normas e outros para atrair a
comunidade para seu âmbito e dessa forma encontrar juntos a solução de
problemas detectados. Que o professor recupere sua autoestima e sua verdadeira
identidade como docente capaz de conduzir o aluno a interferir nos espaços
sociais como um agente e nunca como um sujeito sujeitado, enfim transformar a
sociedade.
Apesar do atraso na educação ser
histórico e ter raízes que rementem a centenas de anos, não acho impossível a solução.
Numa visão mais otimista afirmo que venha ocorrer em médio prazo.
Aos professores, os verdadeiros
heróis da resistência, nossos parabéns e que todos os dias, através de lutas, teremos
conquistas para comemorar.
Texto escrito
por Francisca Palmeira.
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